QV


Glossário

Cunhagens, conceitos e figuras

I. Poética

eterna reportagem / reportagem eterna
(lema da QV) A prática da QV: relatar acontecimentos como se o relato nunca acabasse, porque o que interessa não é o evento mas o que dele perdura. FR l’éternel reportage · EN eternal reportage
a humana reportagem
(Ultra Fiorentina pace) O relato que só um humano consegue fazer: discernir «as mais ínfimas palpitações da nossa bomba de sangue». FR le reportage humain · EN human reportage
o relato enquanto poesia
(Ultra Fiorentina pace) A tese central: a única forma de nova poesia é o relato. FR le récit comme poésie · EN reportage as poetry
o novo registo
(Ultra Fiorentina pace) O modo de escrita que decorre dessa tese. FR le nouveau registre · EN the new register
a nova escrita
(Manifesto do Aeviternalismo) A escrita que ignora ou despreza a objectividade; «só entra quem poesia escreve». FR la nouvelle écriture · EN the new writing
putativa objectividade
(Manifesto do Aeviternalismo) A pretensa neutralidade do jornalismo, tratada como impostura. FR la prétendue objectivité · EN putative objectivity
o gesto do anjo
(Manifesto do Aeviternalismo) Imagem da nova escrita: delicadeza exacta, «um dedo na mão de um rei que dorme». FR le geste de l’ange · EN the angel’s gesture
postura mito-poética
(Antigos Corações; a Lua) Reportagem que fabrica mito em vez de o desmontar. FR posture mytho-poétique · EN mythopoetic stance
o texto automático
(Antigos Corações; a Lua) O texto gerado por máquina, «aquele que nasce sem Pai nem Mãe nem Cão». FR texte machinal (evita a escrita automática surrealista) · EN automatic text
wieszcz
(Santos Abstratos #3) Do polaco, o poeta-profeta romântico; a QV assume-o como identidade. Fica em itálico em todas as línguas.

II. Tempo e permanência

Aeviternalismo
(Manifesto do Aeviternalismo) A «nova eternidade feita palavra»: do latim aevum, o tempo dos anjos, entre a eternidade e o tempo humano. Uma eternidade em movimento, contra o imóvel. FR aeviternalisme · EN aeviternalism
o mel da perpetuidade
(Manifesto do Aeviternalismo) O que todos os seres de todas as eras produzem juntos; condutor das consciências. FR le miel de la perpétuité · EN the honey of perpetuity
palimpsesto da gravidade
(Clarimundo) A criação como camadas de erros que pairam umas sobre as outras. FR palimpseste de la gravité · EN palimpsest of gravity
durações interiores / espessura do tempo
(Crippled Symmetries, em inglês: interior durations, thickness of time) Tempos paralelos que a música repetitiva torna sensíveis. FR durées intérieures, l’épaisseur du temps
modo pós-inflacionário
(Crippled Symmetries: post-inflationary mode) Respeitar o horizonte inalcançável pela repetição, não pelo crescimento. FR mode post-inflationnaire

III. A imagem

o azar da imagem
(lim Santos Abstractos(n)) A má sorte da imagem: só se venera alguém depois da morte. Atenção: azar não é hasard. FR la malchance de l’image · EN the image’s bad luck
a imagem ignota
(lim Santos Abstractos(n)) A imagem que nos abandonou e pela qual ainda se luta. FR l’image inconnue · EN the unknown image
a Imagem
(lim Santos Abstractos(n)) Com maiúscula: a abstracção que substitui pai e mãe nos nossos complexos. FR l’Image · EN the Image
Visões (x)
(Santos Abstratos #4) Camadas de memórias de caras que se somam fractalmente, «qual soma que nunca se resolve»; variáveis: a luz, o estado do observador, o ângulo, a abertura do coração. Mantém-se em todas as línguas.

IV. Multidões e controlo

a Mãe-Nuvem
(Santos Abstratos #3) A cloud como divindade: onde estarão todos os dados e de onde se prevê o desejo. FR la Mère-Nuage · EN Mother Cloud
a vibe (tessitura da, controlada, rizomática)
(Santos Abstratos #3) A atmosfera colectiva; a crise é ela ser controlada e não rizomática. FR la vibe · EN the vibe
a espontaneidade calculada da natureza
(Santos Abstratos #3) A ordem escondida no aparente acaso, que permite prever folhas e multidões. FR la spontanéité calculée de la nature · EN nature’s calculated spontaneity
o delta lisboeta
(Santos Abstratos #1) O dialecto e a maneira de Lisboa, que os estrangeiros absorvem num ápice. FR le delta lisboète · EN the Lisbon delta

V. Natureza, som, ciência

acupuntura de cenas, locais e qualia
(Santos Abstratos #4) A festa e a memória como pontos exactos que fazem circular a vida. FR acupuncture de scènes, de lieux et de qualia · EN acupuncture of scenes, places and qualia
o protocolo das folhas
(Santos Abstratos #3) A queda das folhas como equação resolúvel, não processo estocástico. FR le protocole des feuilles · EN the protocol of leaves
pan-psiquismo dos putos
(Santos Abstratos #3) A crença infantil de que se pode prever ondas, nuvens e raízes, logo desprezada pelos cépticos. FR panpsychisme des gamins · EN kids’ panpsychism
a idade do som / o acorde primordial
(A Idade do Som) A pergunta pela genealogia do som, até ao primeiro de todos. FR l’âge du son, l’accord primordial · EN the age of sound, the primordial chord
a nostalgia pelo Criptozoico
(lim Santos Abstractos(n)) Saudade dos 90% da história da Terra antes da vida visível. FR la nostalgie du Cryptozoïque · EN nostalgia for the Cryptozoic
caminhadas atómicas pelos arquivos da natureza
(Ultra Fiorentina pace) O melhor catalisador de bonança; o tempo bem passado. FR marches atomiques dans les archives de la nature · EN atomic walks through nature’s archives
a festiva cardiomegalia
(A Idade do Som) Os corações grandes do público que se torna participante. FR la cardiomégalie festive · EN festive cardiomegaly
o mel cinzento da normalidade
(A Idade do Som) A humilhação diária de existir na rotina. FR le miel gris de la normalité · EN the grey honey of normality

VI. Figuras

o Mistagogo da Leveza
(Beverly Glenn-Copeland) O iniciador nos mistérios da leveza, que ensina a «cantar a apoteose da leveza». FR le Mystagogue de la Légèreté · EN the Mystagogue of Lightness
o Oráculo das 3 Cordas
(Bill Orcutt) O guitarrista como oráculo do sofrimento-através-da-guitarra. FR l’Oracle des 3 cordes · EN the Oracle of 3 Strings
Nossa Marmórea Senhora dos Espelhos
(Antigos Corações; a Lua) A coisa velha por excelência, guardada no cofre no centro da terra. FR Notre-Dame de Marbre des Miroirs · EN Our Marble Lady of Mirrors
os Croatas
(Antigos Corações; a Lua) Os salvadores invocados que levam todos os espelhos. FR les Croates · EN the Croats
a pequena bruxa Johanna
(Clarimundo) A cervejeira das catacumbas, «cínica verruga de pessoa». FR la petite sorcière Johanna · EN little witch Johanna

VII. Notação

limn→Ω Santos Abstractos(n) = ∞
A série como limite: cada texto é um termo de uma sequência que tende para o infinito.
(n), (x)
Variáveis na escrita: a série (n) e as visões (x).
ኦሮማይ ትረካ ክፍል 6
(Ultra Fiorentina pace) Em amárico, «Oromai, narrativa, parte 6»: homenagem a Baalu Girma.

VIII. Aforismos